Trajetória
Eu sempre fui atraída pelo que permanece.
Por uma imagem, uma expressão, um gesto pequeno que, por algum motivo, guarda dentro de si uma história inteira.
Minha formação começou nas Artes Visuais, na UNESP, e seguiu pelo Design, na Belas Artes. Ao longo dos anos, minha trajetória profissional passou por diferentes caminhos dentro da comunicação, da criação e da experiência, trabalhando com marcas, conteúdos, projetos e pessoas.
Hoje, sigo aprofundando esse olhar na pós-graduação em Fotografia e Arte, no Senac, enquanto construo na fotografia um lugar que reúne tudo aquilo que sempre esteve presente na minha trajetória: o olhar, a estética, a narrativa e, principalmente, o interesse pelas pessoas e suas histórias.
Fotografar é observar. É estar presente o suficiente para perceber aquilo que acontece sem pedir licença. O abraço apertado, a mão que procura outra mão, um olhar entre duas pessoas, a bagunça da casa, o silêncio antes de um nascimento. São coisas que podem parecer pequenas enquanto acontecem, mas que um dia podem se tornar algumas das lembranças mais importantes de uma vida.
A Vislum nasceu desse olhar.
O nome vem de “vislumbre”, aquilo que se revela por um instante. Uma pequena cena que aparece diante de nós e desaparece logo depois. Na fotografia, encontro uma maneira de guardar esses instantes sem tentar transformá-los em algo que eles não são.
Por isso, meu trabalho é documental, delicado e atento. Não busco criar uma versão idealizada da vida, mas encontrar beleza naquilo que é verdadeiro.
Fotografo nascimentos, maternidade e famílias em São Paulo. Histórias diferentes, casas diferentes, relações diferentes. O que permanece em todas elas é a vontade de guardar aquilo que hoje parece impossível esquecer.
Porque o tempo muda tudo.
Os filhos crescem. Os corpos mudam. As casas deixam de ser as mesmas. Algumas pessoas já não estão aqui. E a memória, por mais preciosa que seja, também se transforma.
A fotografia é a minha maneira de cuidar dessas lembranças.
Deixar um vislumbre do que foi vivido para que, muitos anos depois, ainda seja possível voltar para aquele instante e sentir, de alguma forma, que esteve ali.